sábado, 26 de setembro de 2009

Marginal

Estava eu, filosofando por esses dias a respeito de minhas relações.

E cheguei à uma conclusão um tanto quanto interessante: o que mais tem à minha volta é gente "a margem" da sociedade. Um bando de retardados, transgressores de regras e tudo o mais. E são os que me relaciono melhor, que mais me fazem bem. Até parece que atraio isso para mim...

O mais engraçado de tudo isso é que eu não sei se consigo me julgar igual. Talvez não veja isso, e talvez eu seja assim mesmo. Mas o fato é que eu sempre fui um cara comportado, educado e blablabla, como todo cordeirinho deve ser. Pelo menos a capa...

E aí comecei a ver meus círculos de amizade, de relacionamentos. Quem mais me marcou? Quem são as pessoas que passaram pela minha vida, e de alguma forma me marcaram? E descobri que as mais interessantes, para mim, foram as mais retardadas: as que aprontavam na escola; as que falavam para os pais que estavam estudando, e no fim das contas estavam é pulando o muro da escola; a mocinha que levava sua cria de maconha para a sala de aula; o/a biscate que pegava qualquer um e tava pouco se fudendo...

Lembro de um caso muito particular, e que talvez defina de certo modo o que aconteceu comigo. Na minha transição infância-adolescência, comecei a ficar amigo de um menino que estudava comigo. Só que ele era "o meu avesso": quantas ele não aprontava, comigo. Coisas banais, mas que de certa forma eu nunca vou esquecer. Fumava, falava besteira, mexia descaradamente com as meninas na rua, me fazia pegar ônibus com ele pra gente ir no fundão e mexendo com os outros na rua... até que o "cordeirinho" tomou uma bucha em casa. "Filho, você não pode andar com ele: tô sabendo que ele não estuda, que apronta, que é péssima companhia. Enfim, não ande com ele". E lá vai a besta humana ficar com medo e acatar a roupa de cordeiro que lhe serviam.

Tudo bem, temos de ter medidas em tudo que fazemos. Não adianta ser porra-louca por completo, assim como não dá pra ser a pessoa mais correta do mundo o tempo todo. Mas assim como esse episódio me tirou um pouco do que eu sou, vários outros aconteceram. Lembro de algumas "péssimas amizades" que passaram por mim, inclusive mais cedo, e de uma forma ou outra foram tolhidas do meu círculo.

E aí me pergunto: desde que ponto isso me afetou? Lembranças são vagas, mas aos poucos vou conseguindo puxar, e espero que uma hora isso se torne uma linha contínua.

Outra pergunta que eu tenho, mas que ainda não consegui respondê-la: eu sou esse cara todo certinho, cordeirinho e preciso de pessoas que são o oposto pra extravazar minha "sombra" (como diz minha terapeuta), ou será que minha sombra é a própria pele de cordeiro???

Ahhhhh!

Dificuldade. Porque pensar dá trabalho?

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Confissões de um... adolescente?

Já faz um tempo que tenho pensado em como minha vida se transformou em um ano.
E além dessa certeza, tenho me surpreendido diversas vezes comigo mesmo.

Explico.

Quando mais jovem, eu sempre me achei pouco interessante. Um cara tímido, que não se mostrava, que não era nem ao menos divertido. Inteligente, mas quase sem amigos (tá, eu estava rodeado por muita gente, mas amigos, eu não possuía). Bonito (sim, sem modéstia: se eu tivesse caído na balada quando adolescente eu faria um sucessão), mas sozinho. Por vontade própria, sim, mas sem saber o que eu queria de verdade.

E aí eu via pessoas engraçadas ao meu redor, fazendo amizades, formando vínculos e pensava "nossa, eu podia ser assim né?". E demorei, mas no fim das contas descobri que sou assim. E pior: continuo sendo tímido. E nem adianta vir falar "ahan, tímido não conversa com porta". Mas percebi que uma coisa não anula outra, e isso foi sensacional para mim.

Outra coisa que sempre me deixou cabisbaixo era que minha vida provavelmente ia ser uma monotonia. Sem experiências pra contar, sem grandes histórias... e não é que isso é a mais ABSOLUTA MENTIRA? Putz, como eu pude pensar isso?

Tenho feito tanta coisa em minha vida que achei que eu fosse completamente incapaz de fazer...

Pode ser até que ela seria desta forma, caso eu não resolvesse ir viver a vida que eu precisava. Sim, de fato, as peças estavam todas foras de lugar.

E estavam dentro de um lugar que eu criei. Que eu não sei de onde vieram as idéias, mas foi tudo criado. Manipulado pela minha própria mente, pelos meus medos.

Apesar de ter uma parte da vida manipulada, ela não foi de toda má. Mesmo porque acredito que de tudo você deve tirar um lado bom. E SEMPRE tem um lado bom, mesmo daquilo que é muito ruim (o que não é o caso... não foi ruim).

E nessa, outra pessoa participou dessa criação. Não sabia onde estava entrando, e acabou participando. E geramos uma espécie de filho juntos. Só que esse filho não demorou nove meses e sim nove anos, com um parto muito difícil. O bebê chorou demais, muito mesmo. Sofreu pra caralho. O útero era extremamente confortável. Mas, não era o ideal.

E depois de pouco mais de um ano, esse bebê cresceu. Ele ainda tem um pouco de ressentimento dos pais, mas é um bebê muito lindo. E ele tem de tudo pra dar certo na vida. De vez em quando ele terá de enfrentar brigas feias, sem propósito; mas é parte da vida, do crescimento.

Além deste bebê que tenho para cuidar de um ano de vida (com mais os nove anos incubado), me apareceu uma flor em meu jardim. É diferente de todas as outras. Tá lá, novinha, mas parece que ela tá ali há tanto tempo... é algo meio sem explicação.

Talvez eu tenha trazido a semente dela de algum lugar, alguma viagem que fiz. Não sei dizer.

Essa flor conversa comigo todo dia. É minha companheira, minha inspiração. Me aguenta com meus devaneios, desesperos, dúvidas, medos e dramas. E ainda assim, não arreda o pé, tá sempre ali.

Eu também, por minha vez, faço tudo o que eu posso por ela. Cuido da melhor forma que posso cuidar, rego, faço carinho, converso com ela e também aguento seus dramas, seus medos, desesperos... é uma troca mútua. É um relacionamento de via dupla.

E não pretendo deixá-la sozinha em meu jardim. Espero que ela participe de minha vida, mesmo que precise plantá-la em um vasinho para ir comigo aonde eu for. E claro, ela também tem pretensões. E a acompanharei onde quiser ir.

Ainda bem que essa flor apareceu quando tanto eu como ela estávamos no tempo correto, onde um pode entender o outro...

Minha vontade é que ela nunca murche, nunca deixe de estar ali. Se por algum acaso ela quiser ou ter outra vida onde eu não participe, posso nunca mais vê-la; mas ela será inesquecível.

Farei o possível para ela viver o máximo de tempo possível comigo.

E o bebê... prometo que cuidarei dele. Não que eu esteja me obrigando a fazer isso, mas sim porque ele me é muito importante. É um bebê caro. E que poucas pessoas o compreendem... nem eu o compreendo direito às vezes!

E quem disse que precisamos estar na normalidade, ser fácil de ser entendido, compreendido? Estar na normalidade é ser médio... médio, é mediano. Medíocre.
Não quero ser medíocre na vida.
Quero ter histórias pra contar.
Quero ter experiências pra compartilhar.
Quero deixar meu rastro, e fazer com quê as pessoas percebam que eu existo e sintam minha falta.
E quero ter quem me acompanhe, diariamente, nessa batalha. Afinal de contas, viver é uma batalha diária.
Afinal de contas, a vida é curta. E muito tênue pra ser desperdiçada.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Cartão Amarelo.

Hoje, definitivamente, uma parte da minha vida foi suspensa.

Ela já estava um tanto quanto suspensa, mas hoje dei um basta. Eu preferiria que fosse uma suspensão regrada, com direito a formulários preenchidos e tudo o mais, mas a secretária me disse que como o semestre está avançado e eu só posso realizar o trancamento de matrícula uma vez no curso. Dessa forma, é preferível bombar de DP mais uma vez, principalmente se minha intenção é voltar em agosto.

Não, não estou abdicando de uma faculdade pública, onde tanta gente tenta passar, com carreira promissora e os caralho. To só dando um tempo pra algo que já deveria ter sido realizado. Já faz um bom tempo que eu não tenho o mínimo tesão de ir para lá, e fui avisado por algumas pessoas próximas que talvez esse semestre eu não agüentaria o tranco.

De fato, não agüentei. Não dá pra resolver todos os problemas de sua vida de uma só vez. Eu tenho a mania de tentar abraçar todos os eles juntos e querer resolvê-los, mas não é assim que funciona.

Aí você vem e me diz “que diabos, você precisa terminar seu curso! Ainda mais numa faculdade concorrida.”. Ok, concordo. Mas você ta na minha pele? Não né, meu bem.

Sabe quando você sente que foi tua escolha errada, completamente? É assim que me sinto. Definitivamente, não era isso que eu queria pra mim. Ô coisa chata que é estudar informática. Troço sem graça, sem calor humano. Números e mais números. Programações complexas. Raciocínio binário. Credo! Não tem vida nessa bosta.

Ainda hoje me peguei pensando que eu era um dos melhores da sala até minha oitava série. Quando passei para cursar o ensino médio no período do noturno, meu aproveitamento foi lá pra baixo. O que fui cursar? Processamento de Dados.

E aí vem a questão: cadê o cara que gostava de estudar? Será uma mera coincidência esse cara ter o mesmo aproveitamento ridículo em cursos parecidos? Eu não creio.

E o paradoxal é que gosto do que faço. Não só eu, mas eu vejo que todos que dependem de mim, acham que meu trabalho é muito bom. Mesmo porque se não gostassem, não seriam meus clientes.

Tem mais: em catorze anos de experiência profissional, nunca me interessei em comprar nenhuma (isso mesmo, nenhuma) literatura da área. Nem ao menos um guia de bolso. Pra não dizer que não possuo nada, devo ter três ou quatro livros que ganhei e que já haviam sido usados.

Enfim, darei esse tempo para mim mesmo. Preciso decidir o que fazer da vida. È capaz que eu volte, mas preciso repensar em tudo.

Ou, talvez eu surte e preste qualquer outro curso em outra faculdade pública. Vai saber. Não dá pra prever o dia de amanhã, e nem o meu humor.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Pensativo

Hoje tô meio no caos.
Acordei muito pensativo, com as idéias todas embaralhadas.
Quem manda pensar muito na vida?

Assisti ontem "Crash - No Limite" e "Awake - A Vida Por Um Fio". Porquê raios faço isso comigo? Dois dramas, na mesma noite? Bah. Trouxa do jeito que sou eu, lá fui eu chorar né. Banana dos infernos. Pior é que eles nem são assim tão tristes!

Deixa quieto. Tem uma coisa mexendo comigo, e que tá valendo a pena. Eu sei onde reside o X da questão. E não pretendo voltar atrás.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A ignorância realmente não é uma benção.

Antes de começar, um adendo: assim que eu coloquei o ponto final da revisão dessa postagem, essa merda de internet deu pau e apagou meu texto!!!!!!! AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH, que ódio! Bem, recomecemos (ando meio acostumado com essa palavra, ultimamente).

Estava eu divagando sobre minha evolução como ser humano nesse planeta. E acho que consegui progredir bastante, mas ultimamente não tenho tido paciência com aqueles que não pensam em ser mais na vida, estudar mais, ser mais culto. Pode até ser uma espécie de preconceito, mas é dose ouvir determinadas coisas e sensos comuns que não cabem mais hoje em dia.

Agora há pouco estava no carro, e dei uma "zapeada" na frequência para ouvir o que rolava. Parei numa rádio que estava fazendo um quiz com uma ouvinte, e veio a pergunta:
- "A Cosmologia é a área da física que estuda a luz. Você acredita nisso?"
E a ouvinte, decidida, responde: "Siiim!"...

Pelos deuses, como assim? A pessoa nunca estudou ótica na vida? Não sabe o que é um radical de palavra, o que Cosmos significa???? A humanidade tá mesmo perdida.

(Fazendo força pra lembrar o resto do texto...)

Ah, sim! Uns dias atrás uma amiga minha veio me dizer que pretendia comemorar o aniversário dela numa casa de show X, na Vila Madalena. Fui "googlar", e achei o site da casa. Eis que me aparece, em primeira página: "Show do Belo dia tal!". Pelamor, como assim? A casa contrata o Belo? Aquele, que foi preso por tráfico de armas? E que, em plena cadeia, fazia show pra mulherada ir assistir e se deliciar com ele? JE-SUS. Como posso frequentar um ambiente desse???? Falei pra ela, e ela ficou horrorizada e já cancelou a comemoração lá. Ufa, que alívio. Não que eu fosse, mas não posso conceber que um amigo meu goste desse talzinho aí...

Percebo que a humanidade tá cada vez regredindo mais. A maior parte dos "seres pensantes" hoje prefere esfregar a bunda e coxa em danceterias, ler "lendas urbanas" que surgem na internet, ouvir músicas que não agregam nada e ainda depreciam homens e mulheres, encher a cara de álcool ou droga e achar que é bacana... enfim, se eu fosse listar tudo o que é depreciativo, ia ficar extremamente enfadonho.

Fazendo uma análise na linha do tempo, até o século XII, em pleno feudalismo, vivíamos um ambiente hostil e desconhecido, onde o mundo dos seres era a porteira que separava o feudo do "desconhecido". Cultura, educação, arte, não existiam. A vida daquelas pessoas era cuidar das terras dos senhores, e em tempo livre conversar com os semelhantes (e provavelmente falavam sobre eles mesmos).

Com o fim do feudalismo, a partir do século XIV e até o século XX, veio a queda das barreiras: descobrimento dos continentes, renascença, imprensa, literatura, artes, pensadores variados, televisão, internet... o que o homem conheceu nesse pouco tempo foi algo estrondoso.

Hoje, em pleno século XXI, as crianças já nascem quase que sabendo usar o computador; a informação disponível é extremamente vasta, e acessível a um clique de distância no computador de sua própria casa. Porém, percebo que isso não adianta em nada. Parece que o ser humano está voltando às suas origens: guerra, indiferença, dor, pânico, ignorância, morte, doença, fome. E isso tudo não começa lá nos Estados Unidos ou no Paquistão: começa em sua própria casa. Quantas vezes vi crianças bem vestidas na rua, estragando o patrimônio alheio? Quantas pessoas aparentemente bem educadas, jogando lixo nas ruas?

O mal começa dentro de casa. A falta de educação começa dentro de casa.

Eu tenho compaixão pelas gerações que virão dentro de 100 anos: provavelmente estarão iguais aos macacos retratados pelo Kubrick em "2001: Uma Odisséia no Espaço". Sim, porque a grande maioria não pensa sequer em mudar seus atos.

Ah, eu me acho um portento? Pelo contrário. Falho muito, assim como qualquer um. Mas penso nas minhas falhas e como eu posso mudar. Não pretendo ser nenhum Einstein, mas também não quero regredir no tempo.

E um apelo aos (atuais e futuros) pais: não deixem que seus filhos façam o que quiser de suas vidas. Não permita que, por um capricho da existência deles, realizem atos falhos. Façam que os bons costumes prevaleçam, que a educação prevaleça, que a cultura prevaleça. Que respeitem os outros, que saibam que cada um tem seu espaço na vida. Crianças acostumam muito fácil à determinadas situações e os pais costumam ser fracos. Veja o estrago que uma criança pode causar se jogando no chão do supermercado, pedindo uma barra de chocolate!