terça-feira, 5 de agosto de 2008

Extremos

Puxa, quase um mês de reclusão e em uma semana, duas inspirações... rs...
Na verdade, nem é muita inspiração esse post.

No último domingo, tive um dia de extremos. E dentro de um mesmo local.

Eu não tinha nada para fazer pela manhã, então resolvi ir dar uma volta de trem. Estava no Tatuapé, e não sabia se ficava pelo centro ou se ia até a Zona Leste (ou Zona Lost, como quiserem). Entrei na estação, e resolvi ir de trem até a Corinthians-Itaquera, e de lá voltar até o centro. Porém, como foi rápido, resolvi estender a viagem até Guaianazes.

Do Tatuapé até Guaianazes, viagem muito tranquila. Uma composição nova, ar-condicionado... porém a partir de Itaquera, a paisagem muda muito. Começam os morros descampados, casas mais simples, e chegando em Guaianazes uma favela muito grande, ao lado do CEU Jambeiro.

Eram 9h45 quando desci do trem, cedo ainda. Resolvi seguir viagem, até as 10h15 (deveria estar de volta no Tatuapé as 11h). Consegui chegar até a estação de Poá. Porém, a viagem muda drasticamente. Primeiro porque o trem, apesar de reformado no começo do ano, chacoalha demais e as partidas das estações são aos trancos. Segundo, porquê Ferraz de Vasconcelos e Poá são muito pobres... fico imaginando quem precisa passar por aquilo todo dia, deve ser um terror.

Entre as estações Luz e Brás, na volta (sim, passei direto pela Tatuapé e ainda fui até o centro para voltar), um casal brigava por questões monetárias. Que dureza. Domingo, 10h da manhã e ter de discutir o que fazer com os poucos reais que estavam na carteira de um deles. Muita tristeza.

Voltei e peguei a Carol numa prova que ela estava fazendo. Passamos pela Liberdade, procurando um local para comprar um presente, mas estava muito cheio.

Aliás, o centro é local de todos. A Liberdade, extremamente eclética. Desde o novo-rico, até quem procura comprar alguma coisa simples e barata, mas diferente para se ter em casa.

Depois fomos almoçar num conceituado restaurante japonês de Santo André, reduto da classe média paulistana (aliás, sou amigo do dono tá???? rs...). Como choveu, o restaurante estava tranquilo.

No meio da tarde, a dúvida: o que fazer no resto do dia? Nessa altura, estávamos parados em um posto de gasolina e em companhia de um amigo nosso, o Neto... haha, programão! E ainda ouvindo sertanejo. Pior não podia ficar!

Resolvemos ir assistir à uma peça de teatro, chamada "A Festa de Abigaiu", recomendada pelo Neto e pela Veja (leu na Veja? Azar o seu! Huahua!). E lá vamos nós para o Teatro Augusta...

Compramos os ingressos, e fomos dar um passeio no Shopping Center 3. Nem preciso dizer que é terra de todos: héteros, gays, emos, hard-cores, punks. Mas uma coisa é fato: normalmente o povo é educado e culto.

De volta ao Teatro, lotado. Muita gente esnobe. Gente que não tem onde cair morta, mas que sustenta o que não possui.

A peça? Ah, razoável. Não vale o preço.

No fim das contas, meu dia foi do extremo da pobreza, ao extremo da classe média paulistana. Desde gente pobre, que às vezes não possui o que comer em casa, até àqueles que podem pagar uma peça de teatro.

A miscigenaçao cultural é algo muito interessante. Sempre digo que é preciso conhecer para se criticar, e uma das formas de conhecimento é fazer isso que fiz. E sendo tudo isso no mesmo dia, não tive muito tempo para digerir tudo, e as diferenças se tornam mais claras.

Gosto de conhecer lugares novos, pessoas novas. Pode ser um local pobre ou rico, não tenho preconceito. Tudo é conhecimento.