quarta-feira, 21 de março de 2012

Diversidade, oi?

Em épocas de tanta conversa e blablabla sobre diversidade racial, sexual ou seja lá o que for, hoje me deparei com uns pensamentos desorganizados assim que liguei o rádio do carro.

Culpa do locutor, que estava falando sobre o passado do programa e comentou a respeito de umas rádios FM que não existem mais em São Paulo. E me veio na cabeça: "como a gente já teve mais opções do que se escutar aqui em São Paulo...". E a partir disso, outras coisas aparentemente desconexas vieram à tona, naquele momento.

Atualmente se fala muito em diversidade: jornais, revistas, debates universitários, programas televisivos... que né, todo mundo tem de respeitar o direito do outro, que tem de entender que X é diferente de Y mas nem por isso é burro/esquisito/queimará no inferno/aberração de deus ou qualquer outra coisa do gênero. Mas aí eu parei pra pensar: "A gente tem mesmo diversidade nos tempos atuais?".

Antes de mais nada, diversidade, para o dicionário Houaiss é:

1 Qualidade daquilo que é diverso, diferente, variado; variedade. 2 conjunto variado, multiplicidade. 3 desacordo, contradição, oposição. 4 (ECO) índice que leva em conta a abundância e a equitabilidade de uma comunidade. 5 (ECO) biodiversidade.

Ok. Acho que o que quero falar é a respeito da "variedade, multiplicidade".

Pegando o primeiro exemplo que dei, a das rádios FM, qual a diversidade que temos hoje aqui na Região Metropolitana de São Paulo? Pelo menos pra mim, quase zero: ou você ouve o pop-mela-cueca, ou sertanejo e adjacências (salvo poucas outras exceções que sobram, tipo o espólio da Oi FM - até a MIT FM morreu esses dias). Cadê a diversidade musical? Eu mesmo não tenho mais onde ouvir Rock Alternativo... então, já limei isso. Diversidade zero.

Aí outro dia andando pelo Jaguaré, não achei mais a "Farmácia do seu Sebastião". E aí vem o domínio não só das redes "farmacêuticas", mas qualquer outra grande rede de mercado que está engolindo os menores estabelecimentos. Estes, que te dão um péssimo atendimento, completamente indiferente à você e que você não sabe nem quem é o gerente, quiçá o dono. Raia, São Paulo, Extra, Carrefour: tudo igual. Tudo uniforme. Diversidade, alguma?

E vou mais longe. Você anda de ônibus por aí? Ótimo. Por acaso, você sabe qual empresa que presta serviço naquela linha parecida com um navio negreiro que tem de usar todo dia? A SpTrans, assim como a EMTU, não são donas do negócio, só "administram". Então, dito isso: não, né? Pra sua informação, ela tá escondida em algum lugar do ônibus. Mas, uniformizaram todas as pinturas e você não faz a mínima idéia de quem te presta serviço. Apesar de haver ainda as empresas, ao meu ver não há diversidade. É mais ou menos a mesma idéia da rede de farmácia ou supermercados... tudo a mesma cor, mesmo péssimo atendimento...

E os carros? Puta coisa monótona! Em São Paulo hoje circulam alguns tipos: os pequenos, médios e grandes de linhas arredondadas, de cores pretas, cinza ou prata (alternando por alguns tons diferentes destas). Dá até pra fazer uma matriz com os tipos de carros, cores, montadoras e pronto! Você tem a quantidade de "diversidade automotiva" que roda por aí (claro que é pra fazer a matriz no meu ponto de vista, mas enfim...). Cadê aqueles carros amarelo-ovo ou laranjas, que circulavam? Nem vermelho eu vejo mais! Não estou falando questão de gosto: eu mesmo não teria um carro laranja! Mas, podia existir a opção, né...

Enfim, há inúmeros outros pontos de "não-diversidade" que eu poderia colocar aqui. Mas o propósito aqui é o seguinte: como discutir diversidade, se a sociedade caminha à uma uniformização de tudo o que a gente vê por aí?

Até na paisagem podemos ver isso: ao invés de uma alameda estar cheia de diversidade biológica, metade foi arrancado e colocado árvores do mesmo tipo pra parecer bonita...

Eu só não consigo chegar à conclusão de que se essa "uniformização" das coisas é algo inerente ao homem, que gosta de ver tudo bonitinho, ou se é algo imposto pelo nosso tipo de vida atual. Às vezes, penso que é um misto dos dois.

De qualquer forma, acho muito triste tudo isso. Pra todo lugar que eu olho, vejo as coisas tão... normais.

E de que adianta ficar levantando bandeira de discussões de diversidade, se a coisa anda assim?

Paradoxal.

E pra fechar, fica aí com o clipe de "Another Brick in The Wall". Se nunca assistiu (pecado mortal, mas ok), vale a pena assistir.