Vixe, quanta teia de aranha por aqui... haha! Mas não vou escrever sem ter o que inspirar...
E minha inspiração veio hoje de tempos remotos. Uma época que todo mundo era feliz, mas não se dava conta.
Estou escrevendo tudo isso da cidade de Hortolândia, 15 km além de Campinas. To aqui porque vim num escritório em Campinas, e decidi vir até aqui para ver como está a cidade.
Explico, rapidamente: há bons anos atrás um amigo meu (ou ex-amigo, provavelmente) possuía uma chácara nessa cidade. Passei anos da minha vida vindo para cá, me divertindo e esquecendo do mundo lá de fora. Por esses tempos faz aniversário de 10 anos que não venho para cá. E ver tudo isso faz com que muitos pensamentos venham à tona.
Que tempo feliz! Com dez anos de idade não se pensa em muita coisa, só como se divertir e aproveitar a vida. E hoje, nos altos dos meus 28 anos de idade bate um saudosismo insuportável. Alias, até hoje não descobri se saudosismo é uma coisa boa ou ruim; há horas que você precisa se apoiar em algum passado para poder sobreviver. Em outros, o passado não deixa você viver o presente e nem pensar no futuro.
Mas o fato é que o tempo passa, você se recorda de emoções e sentimentos antigos, e eles continuam lá, na sua cabeça. A gente não se esquece de nada do que passa na vida. E mais, não se esquece nem de cheiros e sensações características.
E aí todos esses sentimentos se misturam com todas as experiências de sua vida. E eu me pergunto: porque raios vim parar nessa merda de vida? Pra quê? Qual a finalidade disso tudo? A gente nasce, cresce, estuda, namora, faz sexo, trabalha, envelhece e morre. E pra quê, meus deuses? Qual o sentido em tudo isso?
Juro que não consigo encontrar um sentido em viver. Hoje não, de fato.
A gente estuda pra aprender coisas que nunca vai aplicar na prática. Trabalha pra ganhar um dinheiro pra gastar em coisas que não precisaríamos comprar. Trabalha pra comprar um notebook com bateria pra você escrever um texto para seu blog até no meio do mato, do lado de um monte de vacas. Recebe um diploma de uma merda de faculdade só pra mostrar para os outros que você sabe alguma coisa (como se isso fizesse diferença na prática).
Enfim, essa vida não tem sentido. Talvez, o único sentido que ela tenha seja de cultivar elos. De fazer amizades (e mantê-las, obviamente). De se relacionar com alguém que troque com você.
Chego à conclusão de que o homem cria coisas para se atarefar, pois não sabe lidar com o próximo. Prefere passar oito horas do dia trabalhando, do que estar ao lado de alguém (ou de vários). Passa mais quatro estudando, pra "absorver conhecimento".
E um dia, todo mundo morre e tudo o que a gente carregou na vida vira pó.
Pra quê, meus deuses? Pra quê vir nessa merda de vida, se no fim tudo acaba? Pior é pensar que vou morrer sem ter certeza de nada disso. E de vez em quando isso me faz pensar que esse sofrimento podia ser abreviado, pois 70, 80 anos é muito tempo pra ficar pensando esse tipo de coisa.
A cidade? Bem, cresceu como toda cidade da região. Novas indústrias, novo comércio. Mais possibilidade pra nascer gente nova e sofrer igualmente as outras.
Mas um fato é interessante: o bairro que a chácara se encontra não mudou em nada. No máximo, algumas casas novas. Até os montes de terra nas esquinas das ruas não-asfaltadas são os mesmos. Talvez por isso me despertou tudo isso, a semelhança é muito grande.
Meu amigo? Bem, a gente cresce, namora, estuda e toma caminhos diferentes. E digamos que família atrapalha nos relacionamentos.
O que eu fazia quando ia lá? Eu era eu, era moleque. Simples assim.
3 comentários:
"Eu era moleque. Simples assim".
Eu também já fui moleca.
Simples assim.
E aí... vem o Lobo Mau e rouba suas maçãs.
E ao invés de comer a vovozinha, come os seus sonhos.
É assim que costuma ser... com quase todo mundo.
E tomo aqui por Lobo Mau justamente tudo aquilo que atrapalha nossas escolhas, assim como você menciona em seu texto.
A gente aceita fantasmas que não deveriam assustar tanto assim... e acaba por criar outros tantos, que causam mais dor do que os fantasmas que nos dão de presente pela vida.
E preciso dizer: chorei quando li.
Sabe por que?
Porque te conheci numa fase exatamente igual ao dia em que você se sentou pra escrever este texto, muito provavelmente.
Chorei porque sei que há dez anos, eu estava ali. E foi onde tudo, efetivamente, começou: nossa amizade, nossa história, enfim, o que hoje somos e fomos.
E vou te dizer: a gente nunca terá respostas. Nem eu. Nem você.
O fato é que o que posso dizer é que descobri, lá com minha amiga paga, que eu teria feito tudo, absolutamente TUDO da mesma maneira. Por que de algum modo, valeu à pena: você foi e tem sido um porto seguro. Ainda que muitas vezes me traga tanta insegurança.
Paradoxal?
E quem disse que a vida assim não o é?
Não sinta saudade do que foi.
E se sentir, resgate, mas só o que valer à pena.
Seja. Simplesmente seja. A gente paga um preço muito alto não sendo.
Sê inteiro.
Sê eterno.
Enquanto perdurar.
Amo você.
Bj.
Então,
O Lobo Mau é implacável. Mas a gente tem de saber lidar com ele...
Foi muito estranho, porque vi minha vida toda passar pela minha cabeça em questão de meia hora.
E é claro que você também faz parte. Afinal de contas, foram bons momentos.
Dói muito não ter respostas. Morrer sem tê-las é muito difícil.
Faria tudo da mesma forma, de novo. Mesmo porque não sei se eu aguentaria o tranco da vida.
Paradoxal mesmo. Podia não ser, né?
Te amo tb.
Bom: se você não sabe, eu digo.
DE FATO: VOCÊ NÃO IA AGUENTAR O TRANCO!!
Manja o príncipe que salva a donzela na torre?
Prazer. Meu nome é Philip.
Ha.
Sinceridade é a alma do negócio.
A gente não diz que capitalização é um investimento de tosco, mas a gente pode dizer que se você joga na loto, vale muito à pena, porque tem seu dinheiro de volta e concorre a prêmios.
Nesse caso, meu produto principal sou eu: talvez sua escolha comigo não tenha sido a melhor, mas de todas que você tinha, eu era, sem sombra DE DÚ-VI-DA, a cereja do bolo.
Mas no final, to ligada que o balanço geral é beeeeeem mais produtivo do que se eu não existisse.
Já pensou?
Sem contar que... quem ia me adotar?
Aqui a coisa foi páreo duro: quem veio primeiro? O ovo ou a galinha?
Mas quer saber?
Tem horas em que acho que toda a incompetência que permeou nossas vidas pra que chegássemos aqui, foi produtiva. A nossa, inclusive.
No fim das contas, é contigo que conto.
E foda-se quem não achar que tá bom.
Ah, e é claro: modéstia é uma das minhas mais nobres virtudes.
Aproveitando que hoje to engraçadinha.
Bj.
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